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Um balanço fúnebre

em 09/12/09 às 13:54h

Do blog Cultura na UTI


Final de ano, época de fazer balanço. E o resultado aponta para um desastre maior: querem nos fazer crer que a pulsão criativa está morta. Foi assassinada. Se assim o for, a mediocridade dos que se antecipam e pensam que podem controlar o processo criativo venceu.  Neste momento estou preocupado com o Balé Folclórico da Bahia. Este é só mais um dos que sucumbe lentamente à desastrosa ação da Secretaria de Cultura nestes novos tempos de administração petista. Que lástima, que erro! Como lamento meu voto! E assumir publicamente isso não é demérito.

O Balé Folclórico da Bahia há 21 anos vinha representando nossa cultura pelo mundo com elogios nos principais veículos de comunicação do planeta e um segundo grupo ficava aqui no Pelourinho, no Teatro Miguel Santana. Mas segundo seu diretor, Walson Botelho, a ação desastrosa no Pelourinho tem expulsado os turistas e os seus espetáculos, antes disputadíssimos pelos visitantes do mundo exterior (aí se incluem os brasileiros também, porque a Bahia é uma nação dentro de outra e todos quando  chegam aqui, visitantes nativos ou estrangeiros, sentem-se literalmente em outro planeta), agora não atraem mais do que dez pessoas por dia.

Talvez ainda reste um último bastião: o mercado internacional. Agora mesmo o grupo principal está indo para a África para uma turnê de apenas 15 dias. Na volta, talvez o Balé Folclórico feche as portas e e seja expulso sua bem cuidada sede no antes depauperado Teatro Miguel Santana. Talvez essa seja a ideia: expulsar o Balé Folclórico do Teatro Miguel Santana. Segundo Walson não há como sustentar os dançarinos do grupo, a casa, e todas as despesas daí decorrentes com o que está sendo repassado pela Secretaria de Cultura, a Secult, doravante denominada Sepult. Walson Botelho desabafa: “Pode dizer da vergonha que é termos nossa verba diminuída, quando já havíamos perdido quase 50% há três anos atrás, quando eles entraram e agora ainda nos tiram mais ainda. Com a falta de turistas na cidade temos um público de muitas vezes 3 a 9 pessoas por noite no teatro e não temos como sustentar um espetáculo diário, um elenco grande e um prédio daquele recebendo a esmola que estamos ganhando. O governo da Bahia deveria ter vergonha e a sensibilidade para ver que somos a única atividade constante no Peloruinho há 15 anos, os únicos que levam ainda alguém no Centro Histórico à noite apesar do número de assaltos diários, da falta de policiamento,etc. Corremos o risco de fechar o teatro e paralisar as atividades da companhia dessa forma. Depois de 21 anos de existência ainda somos obrigados a mendigar este tipo de coisa. É uma vergonha”.

Pois bem, a Sepult realmente sepulta, e agora vamos ao balanço definitivo:

Armazém cenográfico: na UTI

Museu Carlos Costa Pinto: na UTI

Balé Teatro Castro Alves: na UTI

Balé Folclórico da Bahia: na UTI

Fundação Casa de Jorge Amado: na UTI

Instituto Histórico e Geográfico: na UTI

Centros de Cultura do Interior(a maioria): na UTI

Teatro XVIII : na UTI

Fazcultura: na UTI

 

Por Gideon Rosa

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