Política e Cidadania, 04 de fevereiro
“Na Bahia não temos dissidentes e toda nossa delegação está fechada em torno da reeleição de Michel Temer“. Esta foi a resposta do presidente regional do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima, quando perguntado sobre os problemas que giram em torno da convenção nacional do partido, neste sábado, em Brasília. A seção baiana do PMDB tem 12 delegados e pouco mais de 20 votos, que contribuirão para a confirmação do nome do deputado paulista como dirigente máximo do partido.
Em termos nacionais, porém, a situação é diferente e a ala dissidente está fazendo barulho contra a decisão da direção da legenda de antecipar a convenção, antes prevista para março. Representante deste grupo, o senador Jarbas Vasconcelos já anunciou que não irá à convenção e tenta fazer com que toda a delegação de Pernambuco o acompanhe na decisão.
Também estudam a possibilidade vários delegados de estados importantes, como São Paulo (liderados pelo ex-governador Orestes Quércia, já fechado com José Serra), Paraná (o governador Roberto Requião chegou a ser lançado como pré-candidato à Presidência da República), Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina.
Majoritária, a corrente que comanda o PMDB optou pela antecipação da convenção como forma de mandar um recado ao PT e ao presidente Lula. Ao reeleger Michel Temer, o grupo quer mostrar força e dizer que ele é o nome da legenda para compor a chapa governista ao Palácio do Planalto, na companhia de Dilma Rousseff, quebrando de vez a resistência ensaiada pelo PT e pelo próprio Lula.
Os peemedebistas baianos estão fechados com a candidatura de Dilma e querem que o presidente Lula concorde com a ideia de a campanha da sucessão ter dois palanques na Bahia, o da reeleição do governador Jaques Wagner e o de Geddel Vieira Lima. A antecipação da convenção, portanto, só favorece este projeto e é mais um motivo para que, como garantiu Lúcio Vieira Lima, não haja dissidentes na delegação baiana.