Mais um resultado do Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é divulgado e, mais uma vez, se constata que a qualidade do ensino brasileiro vai mal. E, como na maioria dos estados brasileiros, na Bahia a educação pública também é um caos. Com isso, os nossos jovens estão cada vez menos preparados para enfrentar o mercado de trabalho e mais propensos a ingressar no mundo da criminalidade.
Menos oportunidade e mais exclusão social, mais drogas e mais violência. Conforme dados do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), em 2009, 160 jovens de até 18 anos foram mortos, 23% a mais que em 2008. A lei de incentivo ao primeiro emprego, criada em 2003, pretendia inserir no mercado jovens na faixa dos 16 aos 24 anos, mas infelizmente, não funcionou. É nessa faixa etária que está o maior índice de criminalidade entre os jovens. Uma das causas é a falta de trabalho.
Não se tem trabalho porque não há oportunidade. As ofertas de primeiro emprego requerem curso médio completo, o que desabilita boa parcela dos estudantes que precisam entrar no mercado. É preciso urgência na criação de políticas públicas, eficazes, no sentido de entrelaçar educação e mercado de trabalho. Só a educação é capaz de gerar oportunidades para os jovens.
A situação em que se encontra a juventude na Bahia é desoladora. Os índices de baixa escolaridade - que se relacionam diretamente com a pobreza - são extremamente elevados. Do total da população entre 15 e 19 anos somente 40% encontram-se matriculados no Ensino Médio enquanto 10% ainda estão cursando o ensino fundamental. Quanto à escolarização, o índice de analfabetos com 15 anos ou mais no estado é de 18,5%. Cerca de 34% da população nessa mesma faixa etária, com 15 anos ou mais, são considerados analfabetos funcionais. (Dados: IPEA)
Estudos da UNESCO-UNICEF, organizações da ONU voltadas para a educação, criança e adolescentes, mostram que cada ano adicional de escolaridade tem o poder de aumentar a renda individual em 10%. Portanto, mais oportunidade. E o que vemos na Bahia quando o assunto é educação pública? Uma situação vergonhosa.
As escolas da rede pública estão depredadas, sem condições dignas de funcionamento. Na maioria delas não tem segurança e o resultado pode ser visto na imprensa que frenquentemente traz manchetes anunciando casos de violência nas escolas. Sem educação eficiente a tendência é que os jovens só encontrem subemprego ou emprego nenhum.
Entre os jovens na faixa de 16 a 24 anos a taxa de desemprego é de 58,82%, quase o triplo da população de 25 anos ou mais, que é de 19,8% (Dados: SEI - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia). Entretanto sobram postos de trabalho por falta de mão-de-obra qualificada. Além disso, os jovens vêm desistindo de buscar emprego, aumentando o nível de desocupação: jovens que não estudam nem trabalham. Em 95, este índice era de 9,4%, chega em 2005 a 24,3% e em 2010 alcança 41,4% dos jovens.
Os dados são reais e não representam novidade para ninguém. Não é um problema novo. Portanto, resolver essa questão é uma necessidade urgente. Se não for para garantir mais renda para as famílias baianas, se não for para elevar a autoestima da nossa juventude, se não for para gerar mais oportunidades, que seja para salvar a VIDA dos nossos jovens que estão entrando na criminalidade e morrendo cada vez mais cedo.
*Marizete Pereira é deputada estadual